+Da próxima vez que eu for a Brasília... Ontem estive quase o dia todo em Brasília, discutindo inclusão digital (alguém já fez um trocadilho de gosto duvidoso com esse termo) e acessibilidade, no forum sobre governo eletrônico. Tudo meio a toque de caixa - só soube que viajaria na noite de segunda - mas muito proveitoso. Brasília é muito esquisita. O plano piloto, com cara de campus universitário, foi visivelmente projetado por um burocrata stalinista, seguindo a (ir)racionalidade burocrática: setor hoteleiro, setor bancário, setor disto e daquilo, tudo com etiquetas e dividido por ramo de atividade. O eixo monumental o é, embora parece mais uma pista de pouso de espaçonaves alienígenas. Tudo foi feito para impressionar o visitante, e consegue. Ramsés II se sentiria em casa naquela monstruosidade urbanística. Nos arredores da cidade a especulação imobiliária devora reservas naturais para acomodar três vezes mais gente do que a cidade foi projetada a suportar. A segunda lei da termodinâmica é mais forte do que qualquer planejamento e, no fim, o caos impera. Penso que mudar a capital foi um equívoco. Um equívoco bonito, mas nem porisso menos equívoco. Ainda mais no nosso tempo, em que as facilidades de comunicações põem em xeque a necessidade de uma capital federal. +...eu trago uma flor do cerrado pra você!