+Tiros em Columbine ou Columbine pode ser aqui Voltei há pouco do Espaço Unibanco de Cinema onde fui ver Bowling for Columbine de Michael Moore. Em torno dos eventos de Columbine em que dois alunos de High School atiram a esmo matando e ferindo colegas e professores depois de uma partida de boliche e da cidade natal de Moore, Flint, onde uma criança de seis anos achou uma arma, levou-a a escola e lá disparou contra uma coleguinha, matando-a. A pergunta é sempre "por que?" e Moore arrisca uma resposta, apontando o dedo para os sistemas educacional e social e a "indústria do medo" alimentada pela mídia e pelos políticos. Um ponto alto do filme é um desenho animado no melhor estilo de "South Park" contando a história (ou histeria?) dos Estados Unidos como uma sucessão de medos e tiros. Moore derruba até a hipótese de que o alto número de mortes por armas de fogo nos Estados Unidos se deve à livre posse de armas. Visitando o Canadá ele constata que o vizinho do norte é, em termos relativos, mais armado que os Estados Unidos mas que tem índices baixíssimos de crimes violentos com armas de fogo. Talvez até mesmo sem querer, nesse ponto ele tenha prestado um serviço à National Rifle Association. Na comparação com o Canadá ficam claras as diferenças dos dois países em questões de justiça social, sistema educacional, discurso político e mídia (duas coisas que no fim são uma só). Outro ponto alto e hilariante do filme é Moore conferindo se as casas de Toronto realmente não são trancadas. Ele simplesmente as invade, com a maior cara de pau e registra as reações dos moradores. Ao último agradece thank you for not shooting me. Moore defende sua tese com competência no tempo e formato limitados de um filme. Não é um trabalho científico, mas ele fala coisa com coisa e toca em feridas profundas. As causas da violência que ele levanta são as mesmas que atuam entre nós, até mesmo intensificadas numa sociedade ainda mais injusta do que a dos Estados Unidos. Imperdível.