+Œdipus Rex, ópera de Stravinsky A apresentção da ópera de Stravinsky hoje no Municipal foi maravilhosa. Em primeiro lugar a Orquestra Experimental de Repertório com Jamil Maluf à frente deu bem o tom da tragédia. Os cantores, tanto o tenor Fernando Portari, quanto a mezzo-soprano Céline Imbert interpretaram belamente uma partitura difícil, numa língua estranha (latim). Mas eu falar bem de Céline Imbert é jogo sujo, sou fã dela de carteirinha. E o papel de Jocasta me pareceu menos complicado do que o da mãe (ahá, Céline, os papéis maternos te perseguem!) do pianista em "O homem dos crocodilos" de Arrigo Barnabé. O coro, dividido com as vozes graves de um lado e os tenores do outro, dava o clima de teatro grego mesmo. Por fim, mas não em ordem de importância, o balé que acompanhou a cena toda do prólogo até o final, em que Édipo é representado por um bailarino de costas para a platéia, foi de primeira. No fundo tinhamos dois espetáculos em um, a ópera em si e o balé que rolava em paralelo. Uma ópera curta, perto de uma hora, mas com uma densidade incrível. É isso que se espera de um libreto de Cocteau. Os camarotes da esquerda mais próximos ao palco foram ocupados por pré adolescentes de alguma escola primária. A molecada assistiu muito atenciosamente e aplaudiu com vontade no fim. Acho isso sensacional, expor a pirralhada desde cedo à arte de qualidade. É a única defesa contra o esgoto cultural que os meios de comunicação de massa canalizam direto para suas cabecinhas.