+So light... Fui ver e ouvir Flora Purim e Airto Moreira mais uma banda maravilhosa no SESC Vila Mariana. Eu teria deixado passar isto se não tivesse ouvido a entrevista de Flora para Patrícia Palumbo no programa Vozes do Brasil na Rádio Eldorado FM. Fui junto com velhos amigos, Mário e Zé Américo. Zé chegou quinta feira da Itália e ainda sofre os efeitos do jet-lag, mas nada que um café forte não resolva. O teatro do SESC parecia o baile da saudade, cheio de cinquentões ou quase (como nós) e sessentões, gente que viu Airto junto com Hermeto no Quarteto Novo e já no exterior com a banda de Chick Corea. Mas tinha uma garotada mais nova também, ligada em música instrumental. O concerto foi uma viagem no tempo, para os anos 70 e 80. Delirei quando Flora cantou Light as a Feather, minha faixa favorita de meu disco favorito dessa época! Airto quebrou tudo munido apenas do corpo, um pandeiro e um apito. Uma bateria de um homem só. Outra canção de Flora que arrepiou foi Vinte Anos Blues. Só no bis ela cantou a faixa título de seu disco mais recente, Speak no Evil. Flora canta divinamente, com uma voz de mezzo-soprano mas que sobe fácil aos agudos, e usa a voz como se fosse mais um instrumento, fazendo deliciosos scats. Para completar os efeitos ela usava um segundo microfone ligado a uma câmara de eco. A turma do fusion não tem vergonha de usar eletrônica e o faz com categoria. E, sim, depois de tanto tempo, Flora continua muito bonita! Delicioso ouvir ao vivo as coisas que marcaram a nossa juventude, nossos vinte anos blues, quando tinhamos mais de mil perguntas e idéias na cabeça. E bom também saber que o jazz está bem vivo e grupos novos, como o Armazém, continuam mantendo essa peteca no ar. +...as a feather can be.