+Tarde de fim de inverno em São José dos Campos Nuvens vem aos pouquinhos se ajuntando no céu que, a esta altura, nem é mais azul. Choverá. E com o cinza do céu, com o chão molhado e a alma cheia de brejo a gente para e pensa: "Que é que eu estou fazendo aqui?" Tanta coisa para fazer, tão pouco tempo. O relógio é o único que não se incomoda, faz seu taque depois do tique, nunca um taque depois de outro taque. A cabeça pesa, o corpo está cansado, o sono que faltou à noite vem com tudo quando ele é menos bem vindo. Olho para o monitor, ele olha para mim, ou olharia, se olhar pudesse. A tela cheia de janelinhas coloridas, o céu cinzento do lado de fora das janelas do escritório. E vou escrevendo bobagens. Tiros os óculos e o mundo fica fora de foco.