+Os Contos de Hoffmann no Municipal Domingo foi dia de ópera. "Os Contos de Hoffmann" de Jacques Offenbach, com a Orquestra Experimental de Repertório, sob a batuta do simpaticíssimo maestro Jamil Maluf, e mais coral, bailarinos, elenco enorme. Os trechos falados foram traduzidos para o português, enquanto o canto ficou no original em francês. "Os Contos" é a única e última grande ópera de Offenbach, que ficou mais conhecido pelo cancan da opereta "Orfeu no Inferno", que serviu até para anúncio do Leite Paulista, há muito tempo. Foi um espetáculo sensacional. Denise de Freitas fez o papel duplo de Musa e Nicklausse. Hoffmann, poeta e bon vivant, encarnou no tenor Fernando Portari. Denise é uma graça e parece que está se especializando em papéis masculinos, pois fez João na ópera infantil João e Maria e como Nicklausse só faltou coçar o saco. Os amores de Hoffman foram interpretados pela soprano Andrea Ferreira, fazendo o robô Olympia, engraçadíssima, especialmente quando o robô pifava; outra soprano, Cláudia Ricittelli, fazendo Antônia, e a mezzo Luciana Bueno como a femme fatale Giulietta. Por uma convenção não escrita, mulheres malvadas na ópera costumam ser mezzo soprano ou contralto; vozes graves assustam, seduzem e destroem. Nos papéis diabólicos de Lindorf, Coppelius, Dr. Miracle e Dapertutto, Lício Bruno, que se sai muito bem tanto como baixo quanto como barítono. E o elenco de apoio estava sensacional. Destaco os tenores Paulo Queiroz, fazendo um Spalanzani que remetia ao aloprado Professor Bartolomeu Guimarães do Ronald Golias e Luciano Botelho em vários papéis caricaturais. E mais coral e o corpo de baile em mais de três horas de maravilha. Divertido começo de noite de domingo, e um fecho com chave de ouro para a temporada de óperas de 2003.