+O Zen e a arte da fotografia foto de Luzmila Carpio a banhista O que é a fotografia? em um intervalo de tempo, geralmente bem curto em relação à dinâmica de nossa visão, deixamos que alguma luz impressione um filme ou um dispositivo eletrônico (tanto faz, vou chamar tudo de filme), gravando assim uma imagem. Parece simples e, pensando bem, até que é mesmo simples. A mágica toda está em escolher o instante, aquela fração de segundo que descuidadamente se abriu para o atemporal. Uma boa fotografia é como um poema, um haicai que em meia dúzia de palavras consegue expressar o indizível. Mas como o poema, que só se completa na mente de quem o lê ou ouve, a imagem também só se completa quando vista. O que vemos de uma imagem é uma impressão, ou uma impressão (no cérebro) de uma impressão (na retina) de uma impressão (no papel ou ecrã) de uma impressão (no filme). retrato com teleobjetiva Uma impressão à quarta potência, em mais de um sentido da palavra! Não é à toa que os pintores impressionistas foram grandes fotógrafos. Se um quadro é feito de pinceladas, uma imagem fotográfica é feita de grãos de prata (ou de cargas elétricas em uma malha de micro capacitores) e cada pincelada, cada grão de prata ou cada pixel não fazem sentido individualmente. O todo aqui transcende de longe a soma das partes. E o momento mágico do clique? Talvez pudesse ser outro momento. Um segundo antes, meio segundo depois, quem sabe? Não se sabe. A imagem é um verbo conjugado no presente do indicativo, mas que ecoa para sempre. -algum dia eu viro um fotógrafo de verdade.