+Diário (muito resumido) de Porto Seguro Aí vão minhas peripécias na semana de 14 a 21 de fevereiro de 2004, em férias em Porto Seguro, Bahia. Fiz uma porção de fotos, que estarão no meu album eletrônico no dia em que me dignar a revelá-las e digitalizá-las. Como se pode ver o efeito da água de coco ainda não passou completamente. =Sábado, 14 Aterrisamos em Porto Seguro ainda a tempo de pegar o carro que tinha reservado na Avis. Lá o atendente demorou para achar o fax confirmando minha reserva, e, ao ver que eu estava ficando meio desconfortável com a demora disse "Calma, meu rei, tu estás na Bahia...". Esse foi o primeiro de uma série de pequenos choques culturais. Ficamos hospedados na Praia do Mutá, na orla Norte, próximo de Cabrália. A praia é muito bonita, o sol é forte. Só sobrevivemos graças ao Banana Boat Ultra Sun Block fator 30. =Domingo, 15 Visita ao centro histórico, show de capoeira, essas coisas. Comprei uma zarabatana pataxó para meu filho que ficou em São Paulo. Literalmente, programa de índio. =Segunda, 16 Visita a Arraial d'Ajuda e Trancoso. Na fila da balsa um enxame de vendedores ambulantes oferecendo guias para passeios em Arraial, água mineral e de coco, etc. etc. etc. Em Arraial visitamos a igreja e a fonte, que para nossa surpresa tinha suas saídas tampadas por pedaços de pau em vez de registros. Conversando com o vendedor de coco da praça soubemos que a prefeitura de Porto Seguro desistiu de instalar registros porque são danificados pelos vândalos de plantão. De Arraial para Trancoso se vai em estrada de terra, ou melhor de areia e lama. Achamos a praia de Trancoso meio sem graça mas a praia imediatamente ao norte, o Rio da Barra linda. Deixamos para voltar ao Rio da Barra em outro dia, minha esposa achou pouco prudente ficar lá e voltar pela esburacada estrada de terra à noite. =Terça, 17 Praia de Coroa Vermelha, no município vizinho de Santa Cruz de Cabrália. Satisfazendo à vontade de meu pai (quase 81 anos, pode?) fomos andar de banana boat, com direito a três tombos n'água. Enquanto a banana inflável era rebocada sobre às ondas eu pensava "o que é que estou fazendo aqui...". À tarde fomos até Santo André, lugarejo simpático e muito bonito, em mais uma travessia de balsa. =Quarta, 18 Outra vez na balsa rumo a Arraial d'Ajuda e de lá pela estrada de terra, mais enlameada do que nunca pela chuva que caira na noite anterior, rumo a praia do Rio da Barra. O lugar é lindo. O rio deságua na praia e na maré baixa se pode tomar banho de água doce nele. Quando a maré sobe a corrente do rio se inverte e ele se enche de água do mar. O rio forma lagoas de água doce limpíssima e cheia de peixinhos e caranguejos. Caminhamos pela praia até a ponta que a separa de Trancoso, uns bons quatro ou cinco quilômetros, ida e volta. Na barraca da única pousada da praia uma placa cujo significado ainda tento adivinhar: praia familiar. À tarde voltamos para a orla Norte, à feira de artesanato da reserva Pataxó. Na praça uma enorme cruz de aço inaugurada em 2000, nas comemorações dos 500 anos de Brasil, marca o lugar provável da primeira missa, com uma placa que tem mais nome de político do que explica a que vem. No meio do burburinho das barracas de artesanato consigui captar a seguinte frase da conversa de duas jovenzinhas pataxós: "Jacquéline, devolve meu cédê de Caetano." Jacquéline? bons tempos em que índia se chamava Iracema... =Quinta, 19 Fomos nocauteados pelo sol forte demais mesmo para o filtro fator 30. Visita ao centro da cidade e seu fervilhante comércio. Consigo substituir a pulseira do meu relógio, que quebrou em contato com a água salgada. Parece que os deuses daqui não gostam muito de relógios. O tempo escorre melífluo, se é que você me entende. Dormimos quase toda a tarde. À noite fomos ao centro da cidade contratar o passeio do dia seguinte em escuna até o parque marítimo de Recife de Fora. =Sexta, 20 Visita ao Recife de Fora em escuna. Como o passeio só é interessante na maré baixa, todas as escunas saem praticamente ao mesmo tempo, e o horário é ditado pela tábua de marés, às oito da manhã nesse dia, o que causa um curioso congestionamento no pier municipal. Alugamos sapatos tipo conga, pois andar nos recifes com os pés descalços é muito arriscado, além de máscara e snorkel para ver os peixinhos com mais nitidez. No recife foi muito divertido ver os estranhos bichos da fauna marinha, ouriços, estrelas do mar, e diversos tipos de peixes. Por volta das 11 e meia a escuna começou a viagem de retorno, com o pier novamene congestionado. À tarde ficamos na praia do Mutá mesmo, em frente do hotel. Choveu, ainda estava um pouco nublado, mas não se podia dispensar o filtro. Fomos ao centro para ver alguma coisa do carnaval, mas tudo que vimos foi um bloco. Um trio elétrico gigantesco que estava estacionado só seria posto em movimento depois de meia noite e estavamos muito cansados para esperar até lá. =Sábado, 21 Preparativos para o embarque para São Paulo. Manhã na praia de Mutá, tarde de arrumação da bagagem, fechamento de contas, devolver o carro (quando percebi que andamos quase 600 km na semana) e esperar o avião de volta para casa. Em São Paulo estava chovendo e fazendo frio.