+Um conto com começo e fim Tudo começou no momento em que a ponta da caneta se aproximou do papel. De leve, quase sem tocar, foi deixando na superfície branca seu rasto de tinta azul escuro numa sequência aparentemente desconexa de rabiscos, pingos e traços. Mais tarde, também sem motivo aparente, a pena se afastou do papel. A tinta que ficou foi aos poucos entremeando as fibras de celulose e ficando mais espessa à medida que a água evaporava, restando no fim o pigmento preso por goma arábica. Seca a tinta, o papel se dobrou em dois vincos caprichados, bem retos e paralelos. Logo depois a pena voltou ao verso do papel e lá deixou mais uns poucos rabiscos, pingos e traços, bem menos, muito memos mesmo do que tinha feito do outro lado. Tudo terminou quando algumas gotas de outra tinta, esta agora vermelha, sem que a pena de uma caneta as trouxessem, cairam sobre o papel.