+Les triplettes de Belleville Finalmente consegui ver o desenho animado Les Triplettes de Belleville, produção franco-belgo-canadense, dirigido por Sylvain Chomet, francês radicado em Montréal, e que manda bem na tradição do desenho animado canadense. A maior dificuldade em ver esse filme é que os distribuidores tem o seguinte raciocínio: se é desenho, então é para criança, se é para criança então é matiné. O filme ficou duas semanas em cartaz no Cinemark-12 de São José dos Campos, mas num horário impraticável. Consegui ir, finalmente, no sábado às três da tarde no novo Belas Artes em São Paulo. Creio que esse é o único cinema que ainda o está exibindo. O filme é do balacobaco! feito todo em pintura computadorizada imitando aquarelas e nankim, em art déco. Há um desenho dentro do desenho, mostrando as trigêmeas do título em um show de variedades na Paris dos anos 30 onde aparecem Django Reinhardt tocando guitarra com o pé, Joséphine Baker com suas bananas, Fred Astaire sendo devorado por seus sapatos enfurecidos, só vendo mesmo. A trama envolve Mme. Souza, imigrante portuguesa na França, seu neto Champion, que se torna ciclista e é sequestrado pela máfia durante o Tour de France e o fiel cachorro Bruno. Eles vão parar em uma New York surrealista, Belleville, onde encontram as agora velhas triplettes. Não vou contar mais, para não estragar as surpresas de um roteiro absolutamente alucinado. Chomet é bamba no controle do tempo, encontrando soluções geniais para mostrar a passagem dos anos na casa de Mme. Souza, enfim, tratando o timing como uma sinfonia, em que movimentos em adagio se alternam com presto. Um mestre. Resumindo: não percam, mesmo que tenham que fugir do trabalho ou cabular aulas por causa do horário esquisito.