+Conspiração telefônica Foi nos idos de mil novecentos e oitenta e antes, nossas salas seriam reformadas, porisso todo o pessoal de engenharia foi alojado em um salão provisório. A perda transitória de privacidade seria bem compensada pelo maior conforto que teríamos nas salas reformadas. Seria, porque não contavamos com ela, codinome Suzanita, inspirado na personagem das histórias em quadrinhos de Quino, que também veio a habitar o salão. O problema não era a Suzanita, mas a combinação Suzanita mais telefone, pois a danada grudava no telefone e falava alto por longo tempo, irritando a todos os demais ocupantes involuntários do salão. Como nunca fomos exatamente anjinhos, resolvemos aprontar uma com a Suzanita. conseguimos uma cápsula de telefone cujos contatos revestimos com fita adesiva. O efeito foi bem interessante, a fita não isolava completamente os contatos, mas atenuava o sinal, que chegava fraquinho, quase inaudível do outro lado. Sem que Suzanita percebesse trocamos as cápsulas do telefone e guardamos a original para quando nós mesmos precisassemos usar o telefone. Com um pouco de prática conseguimos fazer a troca de cápsulas em pouquíssimo tempo, eis os melhores tempos, devidamente registrados:
Melhores tempos para troca de cápsula
Pessoatempo (segundos)
Maria5
Thomé6
eu6.5
Quando Suzanita foi ligar, o efeito foi mais ou menos este:

- Alô! ALÔ! ALÔ! ALÔ!!

e desligou em seguida emitindo vários impropérios contra o pobre aparelhinho. Ela chamou a manutenção, mas antes que o técnico chegasse, trocamos as cápsulas.

- Senhora, o telefone está funcionando perfeitamente bem.
- mas estava mudo até há pouco...

Mal o funcionário da manutenção virou as costas recolocamos a cápsula sabotada sem que ela percebesse. Ela foi seca para o telefone achando que tinha se normalizado.

- Alô! ALÔ! ALÔ! ALÔ!! #$%@@ de telefone!

e crás! tacou o fone violentamente contra o gancho. O técnico da manutenção voltou e desta vez trocou o terminal, "por via das dúvidas". Felizmente o novo aparelho era compatível com nossa cápsula atenuada, o que nos permitiu continuar a tortura por mais alguns dias. A reforma das salas terminou, voltamos para nossos nichos e a Suzanita voltou a ter um telefone só dela e que funcionava! Acho que mais uns dias de "tratamento" ela pirava de vez...