+Quebra tudo, Evelyn! Sábado, na Sala São Paulo, fui ver e ouvir a apresentação da OSESP com a precussionista escocesa Evelyn Glennie. A peça, Veni, Veni, Emmanuel de James MacMillan, é um concerto para percussão e orquestra, escrito especialmente para Evelyn. No palco um hardware da pesada, dois gongos chineses, marimba, xilofone, tambores, pratos e atabaques diversos, persussão eletrônica e um imenso carrilhão de seis sinos tubulares. Evelyn se posiciona junto aos gongos chineses, como um monge de Shao-Lin, olhos de ave de rapina fixos na batuta de John Neschling. Ao sinal do maestro soam os gongos e o concerto começa. Evelyn corre descalça de um instrumento para outro, com seu jeito de bruxa (nisso a extração céltica deve ajudar muito) tocando-os com uma precisão e uma dinâmica quase inacreditáveis, especialmente se a gente leva em conta o fato de que ela é deficiente auditiva profunda. Mas, como ela mesma diz em seu sítio, se Beethoven podia sendo surdo, porque não ela? No final do concerto todos os instrumentistas da orquestra trocam seus instrumentos por sininhos e triângulos, produzindo uma cacofonia que serve como uma textura de fundo para um solo de carrilhão de Evelyn. A coda é simplesmente a ressonância dos tubular bells por um minuto ou mais. Impressionante, é o mínimo que se pode dizer. As peças que se seguiram ao intervalo ficaram pequenas perto do concerto de Evelyn.