+As melhores salsichas do mundo São as alheiras que meu pai faz quando lhe dá na telha, como aconteceu na semana passada. "Seu" Rubens as prepara com carne de porco cozida, pão, muito alho e condimentos vários, desta vez com uma pimenta importada que ele comprou no mercado municipal especialmente para as alheiras. A massa é ensacada em tripa de carneiro ou de vaca e posta a defumar por várias horas. A alheira de papai tem sabor mais intenso e uma cor mais escura do que a tradicional "Alheira de Mirandela", típica de Trás-os-Montes. Acho que vamos reivindicar um título de "Especialidade Tradicional Garantida", denominando-a "Alheira do Seu Rubens". A alheira pode ser preparada em frigideira com um pouquinho de azeite, ou mesmo sem azeite, em fogo bem baixo. Deve-se furar a tripa para evitar que a salsicha exploda durante o preparo. A alheira tramontana, bem como a farinheira do Alentejo, foram invenções dos judeus durante as perseguições e conversões forçadas promovidas pela Inquisição. Uma maneira de "provarem" que haviam se convertido em bons cristãos era exibir na janela da cozinha os embutidos tradicionalmente feitos de porco. Só que a receita original da alheira era de carne de vaca ou de aves e, embora parecesse uma lingüiça tradicional de porco, era totalmente kosher. Mais tarde os cristãos aprenderam a receita e passaram a enfiar carne de porco na alheira. Meu pai também faz a receita de carne bovina, o resultado é um pouco diferente, mas também muito bom. Ah, sim, acompanha-se um prato de alheiras com um bom vinho tinto, de preferência um Dão.