+Expressionismo para estômagos fortes. Fui ver ontem o filme Sin City sobre os quadrinhos de Frank Miller, com direção do próprio desenhista, mais o diretor texano Robert Rodriguez (el Mariachi, Desperado, Once upon a time in Mexico, e o infantil mas nem porisso menos violento Pequenos Espiões) com participação especial de Quentin Tarantino. São histórias que se entrecruzam baseadas nos quadrinhos, numa cidade que faz a Gotham City do Batman parecer um jardim da infância. A fotografia toda em preto e branco de alto contraste, imitando o nanquim dos desenhos, acrescentada de cores artificiais que dão novo significado às imagens. Se a fotografia desse filme não levar o Oscar, é marmelada. A narração em primeira pessoa, com gíria de marginal dos anos 60, um ritmo que vem direto do expressionismo alemão, balas, muitas balas, katanas, granadas e sangue, muito e de diversos matizes. E há referências. O policial vivido por Bruce Willis tem tudo a ver com o Corben Dallas de Le 5ème Élément, filme que também vem dos quadrinhos das antigas revistas Metal Hurlant e Heavy Metal, o ex-presidiário em liberdade condicional de Mickey Rourke lembra o andróide representado por Rutger Hauer em Blade Runner, e há a mulher ninja, armada de duas katanas, Kill Bill na cabeça. Se tiver estômago para encarar a violência simbólica, se gosta de quadrinhos, de graphic novels, não perca de jeito nenhum. Rodriguez está a caminho de se tornar um dos grandes do cinema. é até difícil classificar seus exageros, mas o que se pode esperar de um texano cuja produtora se chama Troublemaker Studio? exageros, claro!