+Duas semanas de cão Primeiro foi minha mãe. Tinha que fazer um exame de endoscopia para o que se internou no Hospital do Servidor Público. Um dia antes do exame, bem no sete de setembro, ela teve um desmaio - estava fraca, em jejum, como preparativo para o exame - e na queda fraturou um joelho, fragilizado pela osteoporose de quem tem 82 anos e pouca atividade física e exposição ao sol. Mamãe foi atendida no pronto-socorro do próprio hospital e encaminhada à Ortopedia, onde o joelho foi operado. o que seria uma curta permanência no hospital se complicou muito. Dona Anna finalmente fez a tal endoscopia que felizmente não encontrou qualquer sinal de câncer. Mamãe teve um seio amputado há algum tempo por causa de um câncer e havia forte suspeita de uma metástase. Com o joelho dolorido, sob efeito de analgésicos potentes e mal alimentada - depois do exame lhe foi liberada a alimentação normal, mas a comida normal do hospital é bem anormal - e a impressão que se tinha é que Dona Anna definhava. A recuperação da cirurgia do joelho era muito lenta. Minha filha, Alice, foi visitar a avó na quarta, dia 14, e teve um desmaio diante da visão do estado dela. Alice ao sentir-se mal saiu do quarto e desmaiou no corredor, de modo tão súbito que despencou com a cara no chão, cortando-se e fraturando o maxilar esquerdo em dois pontos, na junção central e no ponto em que ele se articula à caixa craniana. Alice foi atendida no pronto-socorro do Hospital do Servidor Público para primeiros socorros e radiografia. Depois a levamos ao Hospital Santa Catarina, a que temos direito pelo nosso plano de saúde (Sul América). Ela foi prontamente internada e operada na noite de sexta para sábado. A cirurgia em Alice consistiu em juntar as duas partes do maxilar com placas e parafusos de titânio e uma tentativa de fazer o mesmo com a articulação superior. O fragmento de osso (perfeitamente visível na tomografia, se puder uma hora escaneio a imagem e ponho aqui), porém, ficou oculto por vários nervos, e não foi possível pescá-lo sem que houvesse o risco de causar uma paralisia facial em minha filha. A conseqüência de não poder recuperar a junção da mandíbula com o crânio é que Alice terá que ficar com o queixo imobilizado por talvez um mês ou mais, se alimentando somente com líquidos, até que os tecidos lá cicatrizem. Depois serão necessários vários meses de fisioterapia. Alice teve alta do hospital no domingo, já está em casa, tem que tomar uma porrada de remédios entre antibiótico, anti-inflamatório, analgésico, etc.. O susto foi grande. Enquanto isso no outro hospital, mamãe teve alta da Ortopedia e voltou ao setor de Geriatria. Para que ela tenha alta os médicos querem fazer um exame de fezes, mas até agora não saiu nada. Claro, se não entra muita coisa por um lado, também não sai pelo outro. Temos contrabandeado algumas guloseimas gostosas para ela, para que não tenha só a comida - horrorosa - do hospital como opção. Mamãe está comendo ainda muito pouco e a pouca mobilidade por causa do joelho avariado em nada contribui para que ela evacue. Continuamos muito apreensivos por ela, embora sua aparência e humor estejam bem melhores que há alguns dias. Não lhe contamos toda a história de Alice, o que vamos fazer somente quando ela estiver em casa. Oportunamente vou comentar sobre as enormes diferenças entre os dois hospitais no que toca a acomodações e outros confortos.