+De volta ao blog Não que não tenha o que fazer muito, mas muito mesmo, pelo contrário. Este é um bom refúgio para esfriar os miolos por uns dez minutinhos antes de mergulhar novamente na frenética labuta. =Quase um mês Faz quase um mês que mamãe morreu. Sim, Dona Anna faz falta, mas aos poucos nos acostumamos com a idéia de que ela se foi e isso é definitivo e que o tempo não para e que nossa vez também chegará. Enquanto isso, bola pra frente. =Concurso da BBC Gigante e Ceumar brincando de King-Kong Inscrevi quatro fotos minhas no concurso Photographer of the Year 2005 da BBC. A chance de ganhar alguma coisa é quase nenhuma, mas acho que vale a pena. Das fotos inscritas minha favorita é esta ao lado, com Gigante Brasil e Ceumar brincando de King-Kong diante de um painel da Galeria Olido. Composição improvisada, feita no maior bom humor na saída de um show. =Referendo Estou cada vez mais inclinado por votar não no referendo do próximo domingo. Na verdade acho essa consulta popular um grande bobagem, um assunto de relevância menor. Que tal consultar sobre modelo político, obrigatoriedade do voto, aborto, casamento homossexual, e, porque não, pena de morte? Além disso para que uma convocação específica para isso? O assunto não é urgente, poderia esperar mais um ano e fazer a consulta junto com as eleições de 2006, economizando assim uns bons trocados dos cofres públicos. Mas eis minhas razões para o não:
  1. As palavras proibido e obrigatório me causam alergia. E agora teremos um voto obrigatório para decidir sobre uma proibição! Iirrchh! já está dando brotoeja...
  2. Quem disse que uma interdição legal é obstáculo para qualquer coisa? Aborto é proibido pela lei e aborta-se adoidado; drogas são proibidas e o tráfico delas prospera; passar no sinal vermelho é proibido e só hoje vi uns três casos no caminho de casa para a USP. Proibir o comércio de armas é o mesmo que criar uma reserva de mercado para o crime organizado. Alguém lembra da lei seca americana?
  3. Por fim, é um assunto quase irrelevante, o comércio legalizado parece ser pífio, não conheço quem tenha uma arma legal, nem vejo uma loja de armas nos shoppings, ao contrário do que vi em Montréal, onde, a propósito, o número de mortes por armas de fogo é surpreendentemente baixo.
Na propaganda em torno do plebiscito há duas visões irreconciliáveis sobre para que servem as leis: uma que gosto de chamar de platônica que pensa no mundo como deveria ser e outra, aristotélica que pensa no mundo como de fato é. Platônicos são muito perigosos, pois quando percebem que o mundo não é o ideal, querem torná-lo assim na marra, queimando bruxas, jogando bombas em clínicas que fazem aborto, arremessando aviões contra prédios comerciais, usando guilhotinas e gulags. Toda a propaganda do sim tem um inequívoco caráter platônico. A propósito, se o voto não fosse obrigatório, eu não perderia tempo com essa bobagem.