+Noturnos =Divagação 1 -É lucidez desatino
De ler no próprio destino
Sem poder mudar-lhe a sorte...
-- A. Duarte e A.V. Pinto Incomoda-me essa sensação de estar enlouquecendo aos poucos. é estranho percorrer a memória e não encontrá-la organizada em datas mas sim como uma colcha de retalhos desconexa e cheia de buracos. Cada vez vai ficando mais e mais difícil elaborar pensamentos que façam sentido cinco minutos depois de pensados. Onde e quando me perdi? Ou sempre estive perdido e o que parecia lucidez antes era ilusão? =Divagação 2 A mesa desarrumada, o toca discos portátil - caramba, ode deixei o CD de Ceumar, agora que preciso dele? - a revista do CREA que nem foi aberta. Quase uma hora da madrugada e a pena deixa seu rasto de tinta azul no papel no meio do desleixo da mesa. A mesa é o mundo. O mundo é uma imagem ampliada da mesa. Caos. Entropia, livros esparramados, as contas a pagar misturadas às que já foram pagas. Cinco para uma. Hora de dormir e não de escrever abobrinhas. =Haicais
Na manhã fria
acordo à cantoria
de um bem-te-vi
longe no oeste
nuvens brilham
e o sol se põe
=Desconexos O inferno fica ali, logo depois da esquina, mas aqui estamos a salvo, pelo menos por enquanto. A caligrafia interrompida por uma lágrima cadente.