+In-A-Gadda-Da-Vida Quase como se fosse um presente de aniversário, chegou pelo correio o pacote da Tower Records de onde eu tinha encomendado dois CDs, In-A-Gadda-Da-Vida do Iron Butterfly e uma coletânea do melhor do Steppenwolf. Eu já estava começando a me conformar que o pacote havia se perdido nos meandros aduaneiros e que não voltaria a ouvir esse som da juventude. Uma das razões para ter esses discos é quase didática, mostrar a meu filho metaleiro de onde veio o som de que ele gosta, de duas bandas, uma da Califórnia e outra do Canadá que faziam seu barulho nos longínquos anos 60 e 70. Lembro de uma vez que estavamos em um bando de garotos em Mongaguá esperando ônibus para voltar a São Paulo. Vimos no relógio que faltava pouco mais de meia hora para irmos a rodoviária. Dagomir deu a idéia para marcar o tempo: tocamos duas vezes In-A-Gadda-Da-Vida e vamos. E assim fizemos. A peça tem 17 minutos e ocupava um lado inteiro de um disco LP de vinil. No CD que chegou pelo correio há espaço para três versões dela. No CD do Steppenwolf a faixa histórica é, claro, Born to be wild de Mars Bonfire, um motociclista que poderia ser confundido com os personagens de Easy Rider e um dos fundadores da banda que leva o nome do livro mais conhecido de Hermann Heße, um dos ídolos da contracultura. Acredito que é nessa canção que aparece a palavra Heavy Metal pela primeira vez no contexto do rock. Ouvindo estes velhos clássicos do final dos sessenta ainda se percebe uma vitalidade e uma garra que não se vêem mais nestes tempos muito mais sombrios. Os sessenta foram o apogeu da civilização ocidental: alguém pisou na Lua, houve uma revolução cultural e surgiu, discreta, a Internet. Sem querer ser saudosista tenho que admitir que não foi pouca porcaria.