+Música Binária -zero, um, zero, um, zero, um, ... Apesar de gostar de ritmos e divisões complicadas - e como fã de caras como Dave Brubeck, Frank Zappa e Arrigo Branabé não poderia ser diferente - tenho ouvido e apreciado muita música em compasso binário. Agora mesmo há pouco ouvia The Power of Love, com Hwey Lewis and the News, um ska funkeado bem próximo do reaggae, da trilha do filme Back to the Future. Na mesma trilha há também binária Heaven is one Step Away com Eric Clapton que tem uma deliciosa linha de baixo (quando ouvir ska, rocksteady ou reaggae, sempre aumente os graves! é lá que está o mel). Outra que não me canso de ouvir é Cecilia de Simon & Garfunkel, tanto pelo arranjo com muita percussão e palmas, quanto pela letra engraçada. Itamar Assumpção foi um mestre nessa arte de compassos binários trançados por linhas de baixo sofisticadas. O disco que ele gravou junto com Naná Vasconcelos é uma pequena coleção de jóias. Do disco The Hips of Tradition de Tom Zé, Lua-Gira-Sol é mágica e de uma simplicidade de gênio. Em um concerto em São Paulo, Tom Zé fez a platéia uivar como lobos para uma lua imaginária. Ressonância. É isso. Ressonância. Os ritmos binários entram em ressonância com vários movimentos de nosso corpo, os passos do caminhar, o pulsar do coração, a respiração, os movimentos do sexo. Zero, um, zero, um, ... (hacker que é hacker jamais contaria um-dois.)