+Mais um ano, menos um ano Pois é, ontem foi meu aniversário, 53 anos, ou, 5,3% de milênio, porque é sempre bom pensar em longo prazo e confundir os incautos. Pode ser que eu esteja ficando rabugento com a idade, mas o mundo está me parecendo muito besta ultimamente. Há nuvens muito escuras no horizonte para qualquer lado que se olhe. Eu sei, talvez devesse tomar Prozac® e relaxar, mas o negócio tá russo e eu não esperava, há, sei lá, 30 anos, que o mundo fosse ficar assim. Bem, já não se faz mais futuro como se fazia antigamente... O que mais me enche de medo e angústia é o crescimento do fascismo em todo o mundo. Há fascistas de boina vermelha na Venezuela e na Bolívia, discursando como se fossem fazer a Revolução, mas de fato se agarrando pessoalmente ao poder com unhas, dentes, petróleo e gás. Meu irmão notou que, com a honrável exceção da Noruega, cuja estrutura política já estava bem consolidada quando da descoberta de petróleo no Mar do Norte, e cuja economia é muito diversificada, todo o grande país exportador de petróleo é comandado por ditaduras. Rola dinheiro demais para que governo e corporações resistam a tentação de comprar o que for possível e esmagar o que não for comprável. O que mais me deixa puto é caras que se fazem passar por esquerdistas (como essa máscara cai fácil!) tecerem loas para um Chávez da vida, como se fosse a reencarnação de Lenin ou Mao, quando não passa de um caudilho populista que só não caiu no crime organizado só porque a Venezuela produz mais petróleo do que cocaína. E há o fascismo islâmico, em dois sabores, o xiita do governo dos aiatolás iranianos e o sunita dos terroristas da Al Qaeda. Deve ser muito difícil ser muçulmano hoje e manter a cabeça no lugar. Mas não há meia palavras para definir as ideologias radicais islâmicas: fascismo. Basta um entendimento mesmo superficial dos programas, da ideologia, da visão de mundo dessa gente. E ainda dentro do mundo do oriente tem o fascismo do Baath, que apesar do fim da ditadura de Saddam no Iraque continua vivo na Síria. O Baath é descendente direto do fascismo europeu clássico porque veio direto dos escombros da França de Vichy, quando a Síria era sua colônia. E tem gente por aqui que, em nome de um anti-americanismo no mínimo infantil, simpatiza com todos esses estrupícios. Aos 53 anos tenho a impressão de estar remando contra a maré, sem sair do lugar, e sem ver saída. Nos meus 53 anos vejo o mundo muito triste e ficando cada vez pior. E nem posso gritar que quero minha mãe porque ela já se foi há pouco mais de dois anos.