+Curingão na segunda divisão
Reconhece a queda
e não desanima.
Levanta, sacode a poeira,
e dá a volta por cima.
-- P. Vanzolini
Que decadência! Do mundial inter clubes em 2000 conquistado contra nada menos que o Real Madrid, para o fiasco de domingo, só sete anos se passaram. Incrível a velocidade com que o futebol do Corinthians se degenerou. Mas, como de toda tragédia, desta há lições a aprender e que transcendem de longe o sagrado hectare de grama. De cara, no cerne da decadência corinthiana, está a administração do ex-presidente Dualib. Com excessivo poder dado por um estatuto anacrônico e um conselho vendido - bem fez meu pai que nunca aceitou os muitos convites para se candidatar ao conselho - e com dinheiro da associação suspeitíssima com a MSI, mandou e desmandou no clube, bem à maneira de um ditador. E ditaduras servem só para duas coisas: favorecer uma minoria e eventualmente fracassar. Um clube como o Corinthians deveria ser como uma sociedade anônima, em que os associados são acionistas, devidamente protegidos pela lei das S.A. Democracia, como disse Churchill, é uma porcaria, mas até agora não inventaram nada melhor. Mas não nos iludamos, não chegamos ao fundo do poço, simplesmente porque este poço não tem fundo! Temos uma triste tradição de fazer feio diante de times pequenos, como bem me lembrou o Berzelius, professor da politécnica, nativo da Vila Carrão e corinthiano até o último fio dos poucos cabelos. E time pequeno é o que não vai faltar em 2008. Ai, cadê meu cardiologista? E tome agora aguentar gozação dos bambis e porcos. No caso dos porcos é mais vendetta do que piada já que quando foi a vez deles de trilhar o caminho do Hades, nós fomos cruéis. Então teremos um ano de provações e provocações que espero que os corinthianos suportem com a dignidade de santos. Afinal, a torcida fez a sua parte. Agora vamos em frente, o campeonato paulista vem aí e temos que entrar nele para vencer. Com angústia e sofrimento, que esse é o jeito corinthiano, mas também com uma alegria que as demais torcidas sequer suspeitam ser possível. Este artigo é dedicado a Ana, Aranha, Berzelius, Celso, Déia, Lan, Luiz, Cibele, Zanutto, Zé Américo e tantos outros, e especialmente a "seu" Rubens, meu pai, que me passou a corinthianidade pelo genoma.