+Carmina Peripherica Zé Gambá era um garoto da periferia, como qualquer outro. Meio normal, meio marginal, gostava de Rap e Hip-Hop, era, enfim, um garoto da periferia como qualquer outro, exceto por um pequeno detalhe: Zé Gambá sabia latim! Sim, ele sabia e bem. Declinava e conjugava à perfeição o latim aprendido do padre Romildo, nos tempos de coroinha, muito embora as intenções do padre tivessem muito pouco a ver com a curiosidade do garoto pela língua de Cícero. Ao saber do dote especial do moleque, a professora pediu que ele traduzisse para os colegas uns versos dos Carmina Burana. Zé leu e disse para a professora que não dava, ficava muito estranho traduzindo cada palavra. A professora explicou então o que era uma tradução poética, o conceito de transcriação, mostrou até traduções de Haroldo de Campos. Menino inteligente, ele entendeu tudo direitinho. Deu nisto:
originalversão do Zé
Tempus est iocundum,
o virgines, o virgines!
Modo congaudete,
vos iuvenes, vos iuvenes!
O! O! Totus floreo!
Iam amore virginali
totus ardeo;
novus, novus amor
est, quo pereo
É hora da balada,
as mina, as mina!
Vamo agitá,
os mano, os mano!
O, que tô arrepiado1!
To ligado numa mina
que me dá tesão;
ainda vou acabar morrendo
por essa nova xota!
1 'floresço' no original, mas macho que é macho não floresce nem a porrada, tá ligado?! E foi assim que a professora percebeu que tem certas coisas em que não se deve mexer.