+Mergulho na piscina do tempo -after changes upon changes, we are more or less the same
-- Simon & Garfunkel sobrado na Rua Soriano de Souza 230 Por conta desta minha profissão de engenheiro peripatético, passei outro dia pelo Tatuapé, pela Avenida Celso Garcia. Desviei pela rua Tuiuti e passei em frente da casa onde morei com meus pais dos dez aos vinte anos, na Rua Soriano de Souza 230. Um sobrado geminado, que ainda ostenta a mesma pintura, pelo menos a mesma cor, de há mais de trinta anos. A coberta de caibros e telhas Ethernit que meu pai fez para prover sombra ao velho jipe ainda está lá. O portão ainda é o mesmo, em esmalte cinza. Acho que as várias demãos de zarcão que meu pai lhe aplicou funcionaram bem. Lembro do campinho de futebol que havia perto de casa, que pouco depois que mudamos para lá foi transformado na escola do SESI. A rua era de terra, mas não demorou muito a ser asfaltada. Tinha que pegar o "poeirinha", o ônibus que ia até o Ascendino Reis, no final da Tuiuti, onde fiz o ginásio (sim, existia isso!) e o colegial. Meus dois irmãos e eu estudamos lá e depois na USP. Para ir do Tatuapé para a cidade Universitária tinha que tomar dois ônibus, um até o Largo da Concórdia e outro de lá até o campus. Com aula de cálculo às sete e meia da matina, tinha que acordar bem cedo e se demorava a acordar, minha mãe usava um despertador infalível, o cachorro! Estava lá na cama, sonhando que o travesseiro era aquela menina da FAU, quando de repente uma pata peluda entrava no meio. Lambidas e latidos depois, você está acordado e pronto para continuar a dormir no ônibus. Para minha sorte o ponto final do velho 929 era na Politécnica. Na frente do velho sobrado, um anúncio de 'aluga-se'. Afora isso, parece que o tempo parou. Esse mesmo tempo que vai me transformando em um velho cínico, chato e rabugento.